Uma amiga minha perdeu o padrasto para Covid há alguns dias. Antes da perda, ainda na angústia da internação, escreveu um lindo texto de sua trajetória junto a esse “pai postiço”. No seu escrito, confessa seu ódio inicial por esse homem, o ciúme que sentiu de sua mãe com ele e o percurso de emoções boas e ruins que nutriu desde que o conheceu.
Gosto de textos corajosos. Aprecio quem confessa seus “crimes” e os maus sentimentos que nos tomam durante a vida. Acho essa sinceridade tocante. Acredito que todos temos nossos monstros, nossas dificuldades, um lado sombrio que, para muitos, é inconfessável.
Do amor ao ódio, da calmaria ao desejo de vingança, da delicadeza à brutalidade, tudo está dentro de nós. E, reconheçamos, a depender das circunstâncias, todos somos capazes de tudo.
Confessar os pecados – não aos outros ou aos padres, mas a nós mesmos – nos torna mais confiáveis. Isso porque reconhecemos o que somos e, ao fazer isso, podemos compreender nossas tormentas. Além disso, nos tornamos capazes de separar o joio do trigo. Nos afastamos do mal quando o compreendemos e não quando o negamos.
Gosto de pessoas honestas com a vida. Que admitem erros e culpas. Que confessam verdadeiramente o que são e sentem.
Temor tenho dos que falam apenas de suas pretensas bondades. Do melhor de si. De qualidades para as quais desejam aplausos. Tenho a sensação de que, ao fazer isso, tentam convencer a si mesmos de que não são capazes do que de fato são.

Ana, adorei esse texto. O confessar-se a si mesmo é de uma coragem que bem poucos têm. Verdade é que somos essa mescla de bondade e ruindade, amor e ódio, sombra e claridade e isso, é a beleza de ser humano.
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Penso como você, Roseli. Somos complexos e estranhos, incríveis e insuportáveis. Olhar para tudo isso é o que nos faz entender esse emaranhado de coisas para poder dominar certos monstros.
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Ana, além de se olhar, é preciso se perdoar. Conheço muitas pessoas que sofrem caladas por não se perdoarem. Muito triste
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Isso mesmo. Fazer as pazes consigo é fundamental.
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Ana,
Muito bom texto e leva a profundas reflexões. Ainda mais nestes tempos do “politicamente correto”…
Destaco sua frase: Nos afastamos do mal quando o compreendemos e não quando o negamos.
Parabéns!
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Obrigada, Antonio!☺️
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Olá!!! Ótimo texto e reflexão, não só na vida mas naquilo que escrevemos, nos despir de preconceitos ou nos dias de hj medo das patrulhas… é um desafio!
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Obrigada, Ygor!
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