Agosto

o estampido do chumbinho fez revoar os passarinhos e atirou longe a lata na frente da casa. os cachorros correram em latidos altos pelo barulho feito. a vizinha rompeu a porta descabelada pelo susto, sem perceber os risos abafados dos meninos na janela que se mantinha aberta.

o sol, do lado de fora, iluminava num amarelo sem fim o início de agosto. enrugava os olhos e avermelhava a pele. os pássaros retornaram aos poucos, depois do silêncio que se fez. primeiro os sabiás-laranjeira, depois os bem-te-vis. esbocei um sorriso quase sem perceber ao acompanhar toda a cena.

a vida seguiu indiferente às nossas dores.

Publicado por Ana Bittencourt

escrever para remendar a infância a loucura escrever para estranhar o pai a mãe semelhanças escrever para cerzir terra corpo paisagem escrever carne viva (Tatiana Pequeno)

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