o verde se prolongava no horizonte até onde a vista não mais alcançava. entrelaçava paisagens, ora mais exuberantes, ora meio ressequidas, com breves intervalos para o amarelo dos ipês. os pássaros locais eram sempre um presente: belos, coloridos, barulhentos. por vezes, o sobrevoo circular de alguns urubus nos remetia à essência mesma da natureza: vida e morte, seca e chuva, inverno e verão, a nos evocar, também, a centralidade do tempo. tempo entre o início e o fim, entre as estações, entre o adormecimento das sementes e a explosão das flores e dos frutos, a espera necessária para que a vida cresça, brote, floresça, crie profundas raízes. a ansiedade não pode ter lugar algum neste cenário. o tempo das coisas é sempre kairós.

Mto bonito poetico e profundo👏👏
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