Dia da mulher

Dignas de admiração, todas as que fazem expediente de três turnos, estudam, trabalham, cuidam dos filhos, dos maridos, administram a casa, ensinam a empregada, educam as crianças, mantém a louça limpa, a cama arrumada, o armário impecável (mesmo tendo empregada), economizam com bobagens necessárias, programam as férias da família, ficam atentas ao orçamento doméstico, calibram os pneus do carro (sozinhas), cozinham deliciosos pratos (mesmo que simples), costuram as meias furadas e as calças rasgadas, pensam os lanches diários, trocam fraldas, preparam mamadeiras, acordam no meio da noite com os pequenos tossindo, leem livros (às vezes não tão interessantes), assinam revistas, escovam cabelos e dentes (próprios e alheios), não faltam à academia (mesmo quando falta energia), preocupam-se com o futuro… todas sem as quais nossas vidas não seriam admiráveis… A elas, a todas nós, 365 dias de felicitações (mesmo sendo 365 dias de trabalho)!…

De quando fomos pequenos

Gostava de bicicleta e lembra quando aprendeu a andar em apenas duas rodas, sem apoio. Gostava do sol e dos dias de verão. Do clube, nos fins de semana e da praia, nas férias. Dos pastéis, comprados quentes na feira. Dos sorvetes de palito da padaria. Das idas à pizzaria com frequência. Dos passeios ao shopping, apenas para um lanchinho. Das idas a São Paulo para visitar os parentes. Das sopas feitas pela mãe em dias frios, à noite. Das viagens a Campos do Jordão, em julho.
De brincar com uma grande lousa, escrevendo tudo o que aprendia na escola. De brincar de super heróis, com as irmãs, no jardim de casa. De andar atrás do gato (apesar da terrível alergia que isso lhe custava). De contar piadas bobas. De assistir a Fantástica Fábrica de Chocolate todos os finais de ano. De ler Agatha Christie, um pouco mais velha, em dias chuvosos.
Gostava do Natal e de dormir tarde no réveillon. De ter trinta dias de férias no meio do ano. Gostava de quando suas primas iam dormir em sua casa e de quando podiam adiar o sono por conta disto. De ir à escola e do intervalo com as amigas. Das bonecas e das arrumações para brincar de casinha. De ver seu avô dando corda no relógio cuco. De ouvir sua mãe contar histórias de sua infância e das orações, feitas todas as noites antes de dormir. Dos bolos de laranja de sua avó e de sua antiga geladeira Frigidaire. De ir ao cinema, assistir os Trapalhões. De dançar no teatro, nos finais de ano, o que ensaiara nas aulas de ballet. De jogar Atari na casa dos primos. Dos bifes cortados em pequenos pedaços pelo seu pai. Das brincadeiras de esconde-esconde com uma grande turma na rua. Dos passeios em família.

Os anos passam e muitas coisas ficam no passado: os parentes que morreram, as pessoas que não mais encontramos, os lugares aonde nunca mais estivemos. Tudo, entretanto, permanece na memória. Pequenas coisas, singelas histórias, estranhas lembranças. Um pouco do que temos, muito do que somos. O que seremos para os nossos filhos e em tudo o que ficará depois de nós.

Chuva incessante

Quando chove sem trégua
Como há quatro dias, sem pausa
Nos sentimos enamorados pelo sol
E esquecemos, por momentos
(longos?… pequenos?)
Do desagrado que trazem o calor e o suor.
Não deixamos de nos queixar,
Apenas mudamos o objeto da queixa
(do sol para a chuva).
A ausência muda a forma de pensar sobre as coisas.
A saudade nos invade sempre cheia de desejos.