Nada

assim como meus olhos

os dias insistem em se manter úmidos

e o cinza das horas não permite cessar

os medos, as dúvidas, as dores.

há uma solidão inominável em mim

há uma porta entreaberta

há um escuro à espreita.

não espero mais por ti.

Escultura em metal de Matteo Baroni, 2016.

Publicado por Ana Bittencourt

escrever para remendar a infância a loucura escrever para estranhar o pai a mãe semelhanças escrever para cerzir terra corpo paisagem escrever carne viva (Tatiana Pequeno)

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