quando mergulhei naquele rio lodoso, eu estava de costas, nunca havia mergulhado em rio, tampouco de costas, não conhecia a profundidade, o terror escuro do fundo, as águas que pareceram me carregar para a morte, machuquei-me ao tocar o piso quando alcancei o pé e um tanto mais ao sair da água e carreguei as marcas, o sangue escorrido, a sensação de desespero por muito tempo.
entendi que não posso com rios, não gosto da textura suja de suas águas, da sensação de se perder em seu leito, um escuro inominável, do desespero por não conseguir respirar, não conseguir pensar, em ter que sair aos tropeços, abruptamente, desejando fugir de suas margens, de seu curso incerto, de seus peixes sem escamas.
voltei ao mar, seu movimento azul, seu tempero úmido e salgado, seus abraços quase a me derrubar.
tornei a colecionar conchas de muitas estrias e formatos, com sua música a lembrar tempos uterinos.
estendi-me ao sol, pés muito fincados no chão de areia branca, quente, delicados grãos.
voltei à minha casa, talvez destino, escrito nas estrelas do zodíaco de meu mapa astral desconhecido.
meu signo decerto é solar.

Meu signo é Peixes. Água doce ou salinizada sigo meu curso entre o profundo escuro das noites que habitam o fundo onde vivo e a tênue claridade do sol, quando arrisco sair e pisar a areia amadurecida pelo mesmo sol que queima meu corpo. Meu ascendente é Sagitário. Talvez encontre descanso.
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Peixes em água certamente encontram seu lar…
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Pois é…mas, com o passar do tempo aprendemos a caminhar em terra, em termos um pensamento mais pragmático quando necessário, objetividade…há um certo equilíbrio entre água e terra que gosto muito, algo como mar e montanha. Sinto-me, hoje, mais feliz assim. E o mar, me desafia.
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Meu lar é o mar, mas já experimentei as águas de um rio. Mar e rio são de natureza aquosas diferentes. Os mistérios, diferentes. As sensações de pertencimento, diversas. Apesar de sermos quase que inteiramente água, há águas as quais nossos espíritos não reconhecem. O sol, por testemunha.
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Sinto o mesmo. São diferentes em essência. O mar me convida a suas águas, o rio me causa um estranhamento quase repulsivo.
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Acho que é uma questão de entendimento entre nossa pele e a “pele” da água do rio. Às vezes, não há “química”, simplesmente. Se for assim, nem adianta insistir…
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