às seis da manhã passo um café
e sento com meus fantasmas
botamos as cartas na mesa
sobre luto, cicatrizes, memórias.
falamos das marcas gravadas na pele
dos caminhos, escolhas e histórias
e discutimos sobre
reparações.
choro revelando
lembranças que permanecem
(embora não permaneçamos os mesmos),
incômodos que ficam
e tropeços.
confesso que os sonhos da noite
são cada vez mais raros durante os dias
e que a perda da inocência
é quase tão dura
quantos os golpes, quase tão triste
quanto a morte.

Ana, eu mesmo poderia ter escolhido as últimas linhas: “e que a perda da inocência / é quase tão dura / quantos os golpes, quase tão triste / quanto a morte”. A morte é triste para quem fica -nós, que vemos a inocência morrer diante de nossos olhos.
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É isso!
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