Matinal

as curvas da manhã começaram a se mostrar em meio ao sexo que embalou o bom dia. deixamos os lençóis quentes e fomos caminhar passos de outono. o céu nos convidava ao amanhecer enquanto os olhos, turvos do prazer recente, desejavam ainda perdurar certa mornidão.

o café precisou ser forte. e muito. os olhos arderam o desejo prematuro durante todo o dia. o corpo esmolou descanso. ao fim do dia, os lençóis já frios envolveram o cansaço de toda a estação.

Publicado por Ana Bittencourt

escrever para remendar a infância a loucura escrever para estranhar o pai a mãe semelhanças escrever para cerzir terra corpo paisagem escrever carne viva (Tatiana Pequeno)

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