Poeira do tempo

Poeira nas coisas, nos objetos, nas frestas
Poeira do tempo…
Tempo que segue, indiferente, seu curso.
Qual caminho sem volta
Não faz vir novamente o que foi
Não regressa quem não mais está.
Enredo guardado nas fotografias e nas lembranças.
Poeira escura me pôs em devaneio.
Quanto tempo levou para ela marcar aquele objeto?
Fez-me pensar na vida
Nas coisas velhas, nos objetos empoeirados,
Nos brinquedos da infância,
Na casa dos meus avós.
Nas poeiras finas da existência.

Publicado por Ana Bittencourt

escrever para remendar a infância a loucura escrever para estranhar o pai a mãe semelhanças escrever para cerzir terra corpo paisagem escrever carne viva (Tatiana Pequeno)

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