Gosto dos pequeninos. Quanto menores e mais novos, mais trabalho e cansaço nos dão. Mas, ao mesmo tempo, nunca serão tão nossos como quando são apenas pequenos. Protegidos em nosso mundo previsível e rotineiro, vivem totalmente vinculados à nossa própria existência. Gosto de pegá-los ao colo. De beijá-los sentindo o cheiro gostoso de suas peles.Continuar lendo “Pequenos”
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O peso das idéias
Arrumei meus livros.Um a um fui colocandoCada qual em cada canto.Re-arranjandoRedistribuindoSegundo finalidadeOu encanto.Depois de tudo prontoVeio-me a dor nos braçosO incômodo nos ombros.Não sabia que as palavrasPesavam tanto.
Gravidez de idéias
Novas idéiasMudança de rumoUma nova estrada.Tempo…A vida precisaSer gestada…
Leveza
A inundação tomou conta…Invadiu os espaços Com espessas lágrimasE tremores de tristeza imensa.Depois de secas as angústiasSerenados os temoresRepensados os sonhosAquietados os pensamentos…Um singelo instante.Uma brincadeiraRisadas.Leveza que paira no arComo uma pequena plumaQue registra aquele momentoE apaga todo o restante.
Jardim da alma
Não ouso permitir que a pequena idéiaA pretensa fraseA estranha palavraFugidias, escapem de mim.Ponho-as no papel, todas.Para revelarem a mim mesmaMinha almaE me permitirem construirPouco a poucoMeu jardim.
Incertezas
A imagem do marUm navio a chegar…Para quem acena?Estarão o céu e o solO mar, a areia e o salA redimir ou condenar?Onde estão os mistérios?Será a incertezaSeu ministério?
Estações
Ao final da tarde, nuvens pesadas de chuva cresceram do calor que fizera durante o dia. Novamente. Os verões são assim: intensos, temperamentais, quase malcriados. E, talvez, assim deva ser. Não há verões sem o tormento das fortes chuvas, assim como não há invernos sem gostosos dias de sol. Lembro-me dos outonos de minha infância:Continuar lendo “Estações”
Pérolas
Título de um livro de Rubem Alves: “Ostra feliz não faz pérola”. Resta-me supor que estes grãos de areia a me perturbar, incomodar, coçar, injuriar, que, nas ostras, se tornam preciosidades que compõem belos ornamentos, estejam se transformando em algo precioso em mim também, feito de letras, palavras, frases, textos. Ornamentos que tentam dar sentidoContinuar lendo “Pérolas”
Trigêmeos
Minha irmã teve três bebês. Trigêmeos. Três de uma só vez, juntos. Milagre da vida e da ciência. Tudo em triplo: sustos, alegrias, descobertas, choros, fraldas, resfriados, banhos, tombos, cansaço… E o encantamento… Três pequenas criaturas diferentes que nos seduzem em dose tripla. Não os tenho por perto. Moro longe. Sinto falta de vê-los crescerContinuar lendo “Trigêmeos”
Mamãe e o sentido da vida
Li num livro: “Somos criaturas que buscam sentido, que tem que lidar com o inconveniente de serem lançadas num universo que, intrinsecamente, não tem sentido algum”. Palavras perfeitasCompletasPlenas de sentido.Dizem tudo sobre meu momento.Gostei tanto que passaram A fazer parte de mim.Tornaram-se um pouco minhas.