Carta ao vizinho

Vizinho, bom dia!Não te conheço, ou melhor, conheço-te apenas de relance ao nos encontrarmos todas as manhãs, proferindo um educado “bom dia” um para o outro. Sei que tua casa passa o dia vazia, fechada, sem ninguém. Pelo menos sei disso na hora do almoço, único horário em que estou em casa antes do fimContinuar lendo “Carta ao vizinho”

Escrita interior

Instalou-se o desejo de libertar-se. Não havia mais o que fazer com aquele sentimento desagradável e desajeitado. Já percebera que não havia solução para aquilo. Não se pode mudar as pessoas, nem desejar que as situações se resolvam por si mesmas. Há o desejo sempre infantil de que alguma mágica aconteça. Mas não… ela talvezContinuar lendo “Escrita interior”

Silêncio

Não há como negar: sinto coisas difusas e inexprimíveis. Sob diversas formas, estes sentimentos tomam meus pensamentos e desalinham meu equilíbrio. Desconheço a paz sob a forma de “manso lago azul”. Meu interior é cheio de ondulações. Às vezes me assombram ventos e algumas tempestades. As coisas têm sido um tanto efêmeras, mas nem porContinuar lendo “Silêncio”

Re-sentimento

Pegue sua raiva. Ponha-a em um recipiente. Guarde-a. Deixe-a destilando por algum tempo. Não, não despeje-a imediatamente, substância turva, azeda, vômito incontido. Deixe-a quieta. Olhe de longe para ela, analise-a, resguardando-se – o tanto quanto isto for possível! Separe os elementos mais sólidos dos fluidos. Quando percebê-los com nitidez, escolha os mais interessantes. Ou osContinuar lendo “Re-sentimento”

Idéia Fixa

Era uma menina cismada. Algo acontecia e aquilo ficava dias lhe rondando os pensamentos. Alguém lhe incomodava e aquela pessoa passava a fazer parte de sua rotina, hora após hora em sua cabeça, imaginando cenas e situações que ainda poderia viver. Sua mãe lhe dizia: deixe de devaneios, menina! Escute uma música, olhe as estrelas…Continuar lendo “Idéia Fixa”

Pés no chão

Ela nunca havia tido medo de avião. Mas agora sentia enorme angústia ao voar. Pensar na fragilidade daquela situação, na possibilidade de qualquer pequeno erro levar tudo (e todos) pelos ares – literalmente – a apavorava. Cada minuto de voo se tornara, nos últimos tempos, um exercício de afastar pensamentos desagradáveis e persistentes e deContinuar lendo “Pés no chão”