Ano Novo

Dentro de mim algo explodiu. Intenso e frio como vidro que estilhaça atingido por uma pedra. Ruíram certezas, laços, promessas. Sobrou o dia surdo e suspenso depois do caos. Restou a promessa – a lâmina das decisões – de buscar a minha verdade, de admitir meus desacertos, de abrir mão do que não cabe.

Intensamente me afogo em versos, em súplicas, em melodias. Escrevo resoluções de ano novo em um caderno que tenho comigo para que eu possa me cobrar sem piedade. E tento aquietar o coração cheio de perdas, dores e incertezas. Sigo em frente encontrando, aqui e ali, cacos do que se partiu.

Sobretudo, não quero remendos ou velhas sandálias. Lixo descartado, páginas viradas, pé na estrada. Novos lugares, outros destinos. Quero pisar novos passos. Reencantar-me. Quero viver a intensidade da vida em agraciadas criações.

Acrílico Jed Dorsay Art

Publicado por Ana Bittencourt

escrever para remendar a infância a loucura escrever para estranhar o pai a mãe semelhanças escrever para cerzir terra corpo paisagem escrever carne viva (Tatiana Pequeno)

11 comentários em “Ano Novo

Deixe um comentário