Prato

a beleza do restaurante e o requinte do cardápio trazem certa pompa ao almoço de domingo. pedimos água para amenizar a quentura do dia e um clericot para entremear o encontro amoroso. entre tantos itens do menu – não, não tantos – a escolha declara as ranhuras da alma: a massa caseira que corteja as lembranças de menina. a fome, de amparo. o desejo, de resignificância. a sensação, de abrandamento de dores e reverência ao tempo. gastronomia da alma.

Publicado por Ana Bittencourt

escrever para remendar a infância a loucura escrever para estranhar o pai a mãe semelhanças escrever para cerzir terra corpo paisagem escrever carne viva (Tatiana Pequeno)

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